princesa
Em certa altura de sua vida, Catarina trabalhou como frentista num posto de combustíveis que ficava na Avenida São Paulo, na parte velha do Novo Centro. Ela costumava comprar minúsculos patinhos de borracha pela internet e enfiá-los discretamente nos tanques que abastecia. Mais tarde, em casa, ela chutava pra longe suas botinas de segurança, se sentava no sofá e, enquanto esperava ferver a água que seria um chá de cidreira, imaginava seus patinhos de borracha rodando pela cidade, dentro dos carros, das motos e das caminhonetes, formando um desenho clandestino e absurdo num mapa que não existia. Gostava de imaginar quão longe os patinhos poderiam ter chegado. Ninguém nunca desconfiou da sua conduta. Ocorre que o posto ficava num terreno gigantesco, numa região muito nobre da cidade, e, como não podia deixar de ser, não demorou pra que alguém resolvesse demoli-lo pra dar lugar a um imenso edifício, que viria a ser um dos maiores do estado e de cuja cobertura ainda se poderia observar, por sobre os outros prédios e se o tempo não estivesse nublado, a estrada por onde chegavam e partiam os carros e até mesmo a vegetação do entorno e além.

